segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

QUEM NÃO LÊ NÃO ESCREVE

Texto publicado em 1997 na Folha de São Paulo, mas tão atual, que parece que foi escrito no final de 2011

O resultado, expresso em pesquisa do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), deve servir de alerta para os responsáveis pela gestão do ensino, os professores e pais de alunos. Não é sem razão que os estudantes brasileiros reagiram de forma tão contundente ao antigo Provão /"ENADE" instituído pelo Ministério da Educação, que expõe o despreparo com que nossos alunos saem das universidades.

O problema apontado pela pesquisa, que inclui outras áreas do conhecimento, como matemática, poderia ser simplesmente atribuído, numa análise mais simplista e superficial, à má qualidade do ensino público. O estudo, entretanto, também abrange os alunos das escolas particulares, nas quais, em tese, se pratica ensino de melhor nível.

Fica claro que a questão é mais abrangente e grave, merecendo a atenção de toda a sociedade e das autoridades no novo limiar do séc. XXI.
Seria ingenuidade, para não falar em omissão histórica, imaginar que possamos conquistar o desenvolvimento sem preparar adequadamente nossos jovens para um mundo em que a informação, em todas as áreas do conhecimento humano, será um diferencial decisivo para delimitar o grau de independência e competitividade de países, empresas, instituições e, sobretudo, indivíduos.

Não bastam tecnologia de ponta, redução de custos, programas de qualidade e produtividade. Para participar da globalização com vantagens competitivas, o Brasil precisa de valores humanos, cujos talentos, cultura, criatividade e preparo são requisitos fundamentais no desenvolvimento.

Observa-se no país, contudo, uma perigosa desvalorização da cultura básica, da erudição e do conhecimento. A informação / leia-se: LEITURA científica e humanística é 'pelletizada' em apostilas, na 'indústria' do vestibular ou na realidade virtual da multimídia eletrônica.

A grande maioria dos cursos de Ensino Médio e 'cursinhos' prepara o aluno apenas para realizar a prova, mas não desenvolve nele o senso crítico e o conhecimento de base.

Obras literárias importantes são resumidas, de forma pobre e descaracterizada, em poucos parágrafos. As apostilas são confeccionadas sem estudos prévios, ao contrário do que ocorre com os livros, que demandam anos de pesquisas por profissionais, especialistas, intelectuais, escritores e cientistas, contendo ilustrações detalhadas e informações completas.

Já sem cultura básica, nossos jovens também não são estimulados à leitura de jornais, revistas, livros, romances que também se constituem em fonte imprescindível de informação e formação.

Os estudantes sabem manipular com habilidade os rnicrocomputadores, em casa e, de forma crescente, também nas escolas, públicas e privadas. 'Navegam' com fluidez na Internet, mas não capazes de interpretar um texto de Machado de Assis; são verdadeiros ases das artes marciais dos jogos eletrônicos virtuais, mas não conseguem redigir um texto com princípio, rneio e fim, estilo, forma e linguagem; "conversam" com colegas de outros continentes, via modem, mas atentam contra o idioma com seu pobre vocabulário.

Nossos jovens têm acesso a todos os canais da era da informação, mas não têm informação. Por isso, no ano decisivo de disputa de uma vaga na universidade, recorrem a cursos especializados em vestibulares, que treinam, mas não ensinam.

As escolas brasileiras não possuem bibliotecas. As raras existentes são incompletas e, o que é pior, pouco frequentadas. Em casa, a leitura de livros, igualmente, não é estimulada. Nada contra a informática, a multimídia e a realidade virtual. É inadmissível, porém, a ausência de formação intelectual e a alienação diante da realidade tangível.

Para reverter esse quadro - uma responsabilidade de autoridades, educadores, professores e pais -, não basta oferecer aos alunos os imprescindíveis livros didáticos. É preciso oferecer-lhes incentivo e meios
de lerem os principais autores nacionais e internacionais, da literatura de ficção e não-ficção, jornais, revistas e obras científicas e humanísticas. Essa é a forma de construirmos uma sociedade inteligente, culta e capaz de conduzir o Brasil a um destino melhor.

Como reflexão, fica o alerta de Bill Gates, o multimilionário gênio da informática, que, sem qualquer constrangimento, afirmou: "meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros". Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive sua própria história.


Wander Soares - Folha de São Paulo, 24 de fevereiro de 1997.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

NOVOS ARES NA MÚSICA NACIONAL





                                                     




Domingo passei uma tarde agradável assistindo ao programa GRÊMIO RECREATIVO DO ARNALDO ANTUNES, na MTV. Um programa musical que junta no mesmo palco monstros consagrados da boa música brasileira – Lenine, Marina Lima, Pepeu Gomes, Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Jorge Mautner - com aqueles que estão despontando como talentos  promissores para  garantir um bom  futuro para a música nacional que, diga-se de passagem está na UTI.  Cantores e compositores como Marcelo Janeci, Tulipa Ruiz, Curumim, Ana Cañas, Ortinho e outros não tem seus rostos veiculados constantemente pela mídia televisiva mas são artistas afinados com o DNA da música brasileira, que brinca com os sons, com as nuances dos acordes, compondo e cantando letras que evocam a sensibilidade daqueles que curtem uma  música de ótima qualidade. Seriam eles um novo Clube da Esquina ?



                Bom, acontece que acordei segunda feira pensando em escrever este post e aí compromisso vai, compromisso vem e deixei a idéia amadurecer. Até que hoje, num momento de rara surpresa, encontrei no jornal da minha cidade, uma matéria onde o professor e radialista Chico Marques destaca justamente Tulipa Ruiz como a maior revelação do ano de 2011. Escutá-la cantando com Arnaldo Antunes “A Ordem das Árvores” foi um momento de epifania para mim.
                Entre os destaques citados na matéria estão também os nomes de Karina Buhr, Érika Machado, Roberta Sá, Tiê, Marina de La Riva, Mariana Aydar, Ana Cañas e Mallu Magalhães que, segundo Chico Marques “ gravaram discos novos acima das expectativas, e já garantiram seus lugares ao sol na cena atual ”.


                                                                                         Ana Cañas - Esconderijo
                Quem gosta de boa música é melhor correr e baixar logo estas dicas para salvar os computadores, celulares, IPods e rádios de carro de alguns vírus musicais altamente devastadores. Se eles te pegam, ai ai, se eles te pegam...